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Atualidade

COVID-19: quem adoece com mais frequência – mulheres ou homens?

As diferenças de género – características biológicas que associamos ao sexo atribuído após o nascimento – desempenham um papel inegável na pandemia de coronavírus. Eles também afetam a taxa de infecção e mortalidade.


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Foto de cottonbro no Pexels

Há muitas maneiras pelas quais a pandemia afeta a vida cotidiana das pessoas, e o género – entendido como um conjunto de normas e papéis sociais que combinamos com ser mulher ou homem – desempenha um papel significativo aqui.

Na literatura especializada, esse aspecto se enquadra no conceito geral de “impacto primário” de uma pandemia. O impacto secundário de uma pandemia significa aspectos sociais e políticos mais complexos.

Coronavírus e distribuição por género

O relatório publicado no blog da revista BMJ Global Health em 24 de março de 2020 analisou dados de 20 países com o maior número de casos confirmados de COVID-19 na época.

Desses 20 países, Bélgica, Malásia, Holanda, Portugal, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos da América não forneceram dados desagregados por género. Os autores do relatório do BMJ apelaram a esses países e outros países para fornecer dados de género.

Indicadores de infecção em mulheres e homens

A Global Health 5050, uma organização que promove a igualdade de género na área da saúde, reuniu os dados totais e parciais disponíveis nos países com o maior número de casos confirmados de COVID-19.

De acordo com os dados recolhidos, a maior proporção de mortes de homens e mulheres como resultado do COVID-19 ocorre na Dinamarca e na Grécia. Nesses países, os homens que morrem de COVID-19 são duas vezes mais que as mulheres, 5,7% na Dinamarca do número total de casos confirmados entre homens que terminaram em morte, enquanto 2,7% mortes ocorreram em mulheres.

A maior paridade entre os sexos dos países que enviaram o conjunto completo de dados foi o Irão de 1,1 para 1 e a Noruega de 1,2 para 1. No Irão, 5,4% mulheres morreram, em comparação com 5,9 por cento homens. A China tem uma proporção de 1,7, com 2,8% mulheres morreram, em comparação com 4,7 por cento homens.

A comparação direta das taxas de infecção por sexo não explica as taxas mais altas de mortalidade masculina, e há dados insuficientes para tirar conclusões sobre as taxas de infecção por género. Até conhecermos a porcentagem de pessoas de todos os sexos que são examinadas por profissionais de saúde, é difícil interpretar completamente esses números.

Até agora, sabemos que nove dos 18 países que forneceram dados completos segregados por género têm mais casos de COVID-19 entre mulheres do que homens. Seis dos 18 países têm mais casos entre homens do que mulheres. Noruega, Suécia e Alemanha têm uma taxa de casos de 50 a 50. Grécia, Itália, Peru, China e Austrália têm um número maior de casos confirmados entre homens do que mulheres.

Por que os homens morrem com mais frequência?

A explicação parcial de o porquê do novo coronavírus parece causar doenças mais graves nos homens deve-se a diferenças biológicas entre os sexos. A resposta imune inata das mulheres desempenha um papel importante.

Os especialistas concordam que existem diferenças de género, como cromossomos sexuais e hormonas sexuais, que afetam como a imunidade humana reage ao patógeno. Como resultado, “as mulheres são capazes de obter uma resposta imunológica mais forte a infecções e vacinas”. 

Como alguns pesquisadores observaram, fatores de estilo de vida, como tabagismo e consumo de álcool, que são mais comuns em homens, também podem explicar a mortalidade geral mais alta.

Por que as mulheres podem estar mais em risco?

Uma análise de 104 países da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que “as mulheres representam cerca de 70% profissionais de saúde”. Na China, as mulheres representam mais de 90% profissionais de saúde na província de Hubei.

Esses dados destacam “o género dos profissionais de saúde e o risco que as mulheres enfrentam principalmente”, escrevem os autores do relatório sobre o impacto do género em uma pandemia.

Embora ainda não possamos tirar conclusões definitivas, porque dados desagregados por género ainda não estão disponíveis em todos os países afetados, o relatório da Lancet examina as diretrizes para epidemias anteriores.

Os autores também pedem aos governos e instituições de saúde que ofereçam e analisem dados e diferenças de género em uma pandemia.

Por que os dados por género são tão importantes

“Reconhecer até que ponto os surtos de doenças afetam mulheres e homens de maneira diferente é um passo fundamental para entender os efeitos primários e secundários de uma epidemia em diferentes pessoas e comunidades e criar políticas e intervenções eficazes e justas”, escreve o relatório da Lancet.

Por exemplo, identificar uma diferença importante que torna as mulheres mais resistentes à infecção pode ajudar a desenvolver medicamentos que melhoram a resposta imune dos homens ao vírus.

O desenvolvimento de políticas e estratégias de intervenção que atendam às necessidades das mulheres que trabalham como profissionais de saúde de primeira linha pode ajudar a prevenir uma maior taxa de infecção entre as mulheres.

Finalmente, mulheres e homens respondem de maneira diferente a possíveis vacinas e tratamentos; portanto, o acesso a dados segregados por género é essencial para a realização de ensaios clínicos seguros.

Como resumo Anna Purdie, que também trabalha para a Global Health 5050 e seus colegas no seu artigo: “Os dados desagregados por género são necessários para entender a distribuição de risco, infecção e doença na população e até que ponto o género afeta os resultados clínicos”.

Estudos e Pesquisas

Vitamina D3 pode retardar o envelhecimento celular, revela estudo de Harvard

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Um estudo recente conduzido por investigadores do Brigham and Women’s Hospital, afiliado à Universidade de Harvard, sugere que a suplementação diária com vitamina D3 pode abrandar o processo de envelhecimento a nível celular. Os participantes que tomaram 2.000 UI de vitamina D3 diariamente durante quatro anos apresentaram menos danos no ADN e mostraram marcadores biológicos indicando que eram quase três anos mais jovens em comparação com aqueles que tomaram um placebo. 

O Papel dos Telómeros no Envelhecimento

Os telómeros são estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomas que protegem o material genético durante a divisão celular. Com o tempo, os telómeros encurtam-se, o que está associado ao envelhecimento celular e ao aumento do risco de doenças crónicas, como diabetes e doenças cardiovasculares. O estudo observou que a suplementação com vitamina D3 reduziu o encurtamento dos telómeros, sugerindo um efeito protetor contra o envelhecimento celular.

Benefícios Anti-inflamatórios da Vitamina D3

Além de retardar o envelhecimento celular, a vitamina D3 demonstrou possuir propriedades anti-inflamatórias. A inflamação crónica de baixo grau é um fator contribuinte para várias doenças relacionadas com a idade. Ao reduzir a inflamação, a vitamina D3 pode desempenhar um papel na prevenção de doenças como a artrite reumatoide e certas doenças autoimunes.

Precauções e Considerações

Embora os resultados sejam promissores, os investigadores alertam que a suplementação excessiva de vitamina D3 pode ter efeitos adversos. É essencial que a suplementação seja feita sob orientação médica, especialmente porque doses elevadas podem levar a hipercalcemia, uma condição caracterizada por níveis elevados de cálcio no sangue.

Implicações para a Saúde Pública

Este estudo destaca a importância da vitamina D3 não apenas na saúde óssea, mas também no envelhecimento saudável. Com o envelhecimento da população global, intervenções simples e acessíveis, como a suplementação com vitamina D3, podem ter um impacto significativo na qualidade de vida dos idosos.

Conclusão

A descoberta de que a vitamina D3 pode retardar o envelhecimento celular abre novas possibilidades na promoção de um envelhecimento saudável. No entanto, é crucial que futuras pesquisas confirmem estes achados e determinem as doses ideais para diferentes populações. Enquanto isso, manter níveis adequados de vitamina D3 através de exposição solar moderada, dieta equilibrada e, quando necessário, suplementação sob orientação médica, continua a ser uma estratégia recomendada para a saúde geral.

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Reino Unido

Reino Unido: Reformas Profundas no Sistema Judicial, Investimento Público e Estratégias para a Retoma Económica

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O Reino Unido atravessa um dos períodos mais transformadores das últimas décadas, com um novo governo a liderar um ambicioso conjunto de reformas e investimentos públicos. A intenção é clara: reconstruir a economia, enfrentar os desafios sociais e ambientais e reposicionar o país num cenário global em rápida mudança.

Com a liderança de Keir Starmer e a chanceler Rachel Reeves à frente das finanças, o Reino Unido está a apostar numa estratégia que une rigor fiscal, crescimento sustentável e justiça social. As reformas judiciais, a criação de uma empresa nacional de energia, as novas regras de imigração e os planos para a habitação e infraestruturas traçam o esboço de um novo capítulo político e económico.

Investimento Público como Motor da Retoma

Rachel Reeves anunciou um pacote de investimento público no valor de 113 mil milhões de libras, com aplicação em sectores estratégicos como transportes, energia, habitação e investigação científica. Este plano inclui a construção da linha ferroviária East West Rail, a continuidade da central nuclear Sizewell C e a modernização de hospitais e escolas em todo o território britânico.

Ao contrário das políticas de austeridade implementadas após a crise financeira de 2008, esta abordagem pretende gerar crescimento económico sustentado, criar postos de trabalho qualificados e atrair investimento privado. Trata-se de uma mudança de paradigma que procura equilibrar prudência orçamental com investimento estratégico.

Reforma da Justiça: Nova Visão para um Sistema Esgotado

O sistema prisional britânico encontra-se em sobrecarga, com níveis de reincidência elevados e pouca eficácia na reinserção social. A nova Secretária da Justiça, Shabana Mahmood, anunciou um plano ousado que inclui:
• Substituição de penas curtas de prisão por penas comunitárias com acompanhamento psicológico e social;
• Introdução de castração química para agressores sexuais reincidentes;
• Investimento em serviços de reintegração e monitorização de infractores.

Estas medidas, embora polémicas, visam combater a reincidência e dar primazia à reabilitação em detrimento da punição isolada, numa lógica de justiça restaurativa.

Economia: Sinais de Crescimento, mas com Obstáculos

As previsões económicas actuais apontam para um crescimento anual de cerca de 1,0%, ligeiramente acima do inicialmente projectado. Esta melhoria deve-se ao desempenho positivo no primeiro trimestre e ao aumento do investimento público.

Contudo, a inflação mantém-se teimosamente acima da meta de 2% fixada pelo Banco de Inglaterra, situando-se nos 3,3% em Abril. Esta taxa poderá limitar a capacidade de o banco central reduzir os juros, impactando o crédito e o poder de compra das famílias britânicas.

A dívida pública, por sua vez, permanece num nível elevado, o que obriga o governo a manter o equilíbrio entre incentivo económico e controlo orçamental.

Energia e Ambiente: Criação da “Great British Energy”

Uma das medidas mais simbólicas do novo governo foi a aprovação do Great British Energy Act, que permite a criação de uma empresa pública de energia, sediada na Escócia. O objectivo é impulsionar o desenvolvimento de energias renováveis — como solar, eólica e hidrogénio verde — e acelerar a transição energética rumo à neutralidade carbónica.

A empresa terá como missão:
• Reduzir a dependência energética externa;
• Promover projectos verdes de longo prazo;
• Tornar a energia mais acessível para as famílias.

Esta abordagem marca um retorno à intervenção estatal estratégica, numa altura em que a segurança energética se tornou central no debate político europeu.

Imigração: Política mais Rigorosa e Selecção Qualificada

Num outro eixo sensível, o governo implementou uma série de reformas às leis de imigração. Entre as principais mudanças estão:
• Aumento do tempo mínimo de residência para solicitar cidadania, agora fixado em 10 anos;
• Critérios mais exigentes para concessão de vistos de trabalho;
• Redução de vistos para sectores não prioritários, com ênfase na qualificação profissional dos candidatos.

Estas medidas visam controlar o número de imigrantes, combater abusos no sistema e garantir que a imigração responda às reais necessidades da economia nacional, especialmente em sectores estratégicos como saúde, tecnologia e engenharia.

Habitação e Infraestruturas: Resposta a uma Crise Prolongada

A crise habitacional, especialmente nas grandes cidades como Londres, Manchester e Glasgow, é outro dos pontos de actuação prioritária. O governo comprometeu-se com:
• A construção de milhares de novas habitações sociais;
• Incentivos fiscais para cooperativas habitacionais;
• Reabilitação de imóveis devolutos e de bairros sociais degradados.

No sector dos transportes, além das ferrovias, está prevista a modernização de estradas e a expansão de corredores para veículos eléctricos, com vista à redução das emissões de carbono e à melhoria da mobilidade urbana.

Reacção Pública e Desafios Políticos

Embora o novo programa governativo tenha sido, em geral, bem acolhido, há críticas por parte dos sectores conservadores que temem um retorno ao “Estado demasiado interventivo” e um possível aumento da carga fiscal futura. Os sindicatos, por outro lado, exigem medidas mais rápidas na valorização salarial dos trabalhadores do sector público e um plano claro para resolver a crise no Serviço Nacional de Saúde (NHS).

A oposição parlamentar promete vigilância apertada às promessas do Executivo, enquanto os média britânicos acompanham com atenção o impacto real destas medidas na vida dos cidadãos.

Conclusão

O Reino Unido encontra-se numa encruzilhada histórica. As reformas em curso representam uma tentativa séria de reconstrução interna após anos marcados por crises políticas, económicas e sociais — agravadas pela pandemia, pelo Brexit e pela instabilidade global.

Resta saber se a ambição reformista conseguirá materializar-se em resultados concretos e duradouros. O que é certo é que o país está, finalmente, a tentar virar a página e traçar um novo rumo para o seu futuro colectivo — mais verde, mais justo e mais resiliente.

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