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Atualidade

Os probióticos são determinantes na prevenção das doenças respiratórias das crianças


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Foto de samer daboul no Pexels

Em época de regresso às aulas e de pandemia, uma alimentação equilibrada, com probióticos específicos, como os lactobacillus e as bifidobactérias, assim como a suplementação com vitamina D, podem ter “um importante papel na prevenção das infeções respiratórias agudas, muito frequentes na idade pediátrica, sobretudo nos grupos etários mais jovens, imunologicamente imaturos e mais suscetíveis a infeções virais e bacterianas”, alerta a médica Maria Leonor Bento, especialista em Pediatria e Alergologia Infantil do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

De acordo com a pediatra, as “infeções respiratórias agudas, incluindo as rinofaringites, amigdalites e a otite média aguda de etiologia viral, ou bacteriana, são muito frequentes na idade pediátrica, com uma prevalência que aumenta nos meses mais frios, ou seja, a partir do outono e até ao final do inverno, observando-se um aumento substancial do consumo de antibióticos e um elevado absentismo escolar”. E explica que este facto se deve, por um lado, “a uma a uma imaturidade imunológica própria da idade e, por outro lado, ao contacto com maior carga de vírus e bactérias nos infantários e nas escolas”.

Como 70% das células produtoras de anticorpos residem no nosso intestino, uma das formas mais simples de prevenir as frequentes idas ao médico passa por garantir o bom funcionamento da microbiota intestinal, que desempenha um papel fundamental na defesa do organismo.

“Vários trabalhos científicos têm demonstrado que a microbiota intestinal tem um papel importante no aumento dos mecanismos de defesa contra doenças infeciosas, em especial as infeções intestinais e respiratórias”, sublinha a médica. Lembra também que as infeções respiratórias são “uma importante causa de morbilidade na idade pediátrica e que, por vezes, deixam sequelas a nível do aparelho respiratório”. Podem ainda ser um fator precipitante do aparecimento ou agravamento de alergia respiratória, como é o caso da asma brônquica.

Maria Leonor Bento salienta que, “quando existe um desequilíbrio da microbiota intestinal (disbiose) há uma perda da integridade da barreira protetora do intestino”, o que pode desencadear várias patologias, incluindo as infeções respiratórias”. Os probióticos, que são microrganismos vivos protetores que se encontram naturalmente em alguns alimentos e ou suplementos, contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal e conseguem modular a resposta do sistema imunitário. 

Porém, e no que respeita às infeções respiratórias, nem todos probióticos têm a mesma capacidade de proteção. De acordo com alguns estudos, os Lactobacillus Rhamnosus GG e Bifidobacterium lactis Bb-12 “parecem ser mais eficazes na prevenção das infeções respiratórias agudas e da otite média aguda na idade pediátrica”.1-3

Segundo Maria Leonor Bento, são múltiplos os fatores que influenciam o tipo de flora microbiana intestinal que se desenvolve desde o período neonatal. “O tipo de parto, é um deles,  havendo  diferenças entre o parto eutócico versus parto por cesariana, no que respeita ao início da estimulação do sistema imune intestinal, a qual é mais precoce no parto eutócico em que existe um contacto direto da mucosa intestinal do recém-nascido com microrganismos da flora vaginal e intestinal materna através da deglutição das secreções e líquido amniótico”, explica.

O tipo de alimentação desde o nascimento também influencia a microflora intestinal do recém-nascido e do pequeno lactente e consequentemente o desenvolvimento do sistema imune local. A médica frisa que “o leite materno para além das suas propriedades nutritivas essenciais ao bom desenvolvimento do lactente, constitui um verdadeiro suplemento e um estímulo imunológico natural”. Isto porque “é rico em anticorpos IgA secretores (IgAs), em células imunologicamente competentes, em probióticos naturais como lactobacillus e bifidobactérias e em prebióticos naturais, que vão favorecer um desenvolvimento adequado do sistema imune da criança desde o seu nascimento, reduzindo o risco infecioso e alérgico”.

Referências: 

1. Samuli Rutava, Seppo Salminen and Erika Isolauri.: “Specific probiotics in reducing the risk of acute infections in infancy- a randomaised, double-blind, placebo-controlled study. British Journal of Nutition (2009), 101, 1722-126

2. Shan Liu, Peng Wei Hu, Tao Shou and Xiaofang Pei; “Lactobacillus rhamnosus GG Supplementation for Preventing Respiratory Infections in Children: A Meta-analysis of Randomized, Placebo-controlled Trials; Indian pediatrics 2013; 50: 377-380

3. Adrian R Martineau, et al. “Vitamin D supplementation to prevent acute respiratory tract infections:systematic review and meta-analysis of individual participating data”. BMJ 2017,356:i6583

Estudos e Pesquisas

Vitamina D3 pode retardar o envelhecimento celular, revela estudo de Harvard

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Um estudo recente conduzido por investigadores do Brigham and Women’s Hospital, afiliado à Universidade de Harvard, sugere que a suplementação diária com vitamina D3 pode abrandar o processo de envelhecimento a nível celular. Os participantes que tomaram 2.000 UI de vitamina D3 diariamente durante quatro anos apresentaram menos danos no ADN e mostraram marcadores biológicos indicando que eram quase três anos mais jovens em comparação com aqueles que tomaram um placebo. 

O Papel dos Telómeros no Envelhecimento

Os telómeros são estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomas que protegem o material genético durante a divisão celular. Com o tempo, os telómeros encurtam-se, o que está associado ao envelhecimento celular e ao aumento do risco de doenças crónicas, como diabetes e doenças cardiovasculares. O estudo observou que a suplementação com vitamina D3 reduziu o encurtamento dos telómeros, sugerindo um efeito protetor contra o envelhecimento celular.

Benefícios Anti-inflamatórios da Vitamina D3

Além de retardar o envelhecimento celular, a vitamina D3 demonstrou possuir propriedades anti-inflamatórias. A inflamação crónica de baixo grau é um fator contribuinte para várias doenças relacionadas com a idade. Ao reduzir a inflamação, a vitamina D3 pode desempenhar um papel na prevenção de doenças como a artrite reumatoide e certas doenças autoimunes.

Precauções e Considerações

Embora os resultados sejam promissores, os investigadores alertam que a suplementação excessiva de vitamina D3 pode ter efeitos adversos. É essencial que a suplementação seja feita sob orientação médica, especialmente porque doses elevadas podem levar a hipercalcemia, uma condição caracterizada por níveis elevados de cálcio no sangue.

Implicações para a Saúde Pública

Este estudo destaca a importância da vitamina D3 não apenas na saúde óssea, mas também no envelhecimento saudável. Com o envelhecimento da população global, intervenções simples e acessíveis, como a suplementação com vitamina D3, podem ter um impacto significativo na qualidade de vida dos idosos.

Conclusão

A descoberta de que a vitamina D3 pode retardar o envelhecimento celular abre novas possibilidades na promoção de um envelhecimento saudável. No entanto, é crucial que futuras pesquisas confirmem estes achados e determinem as doses ideais para diferentes populações. Enquanto isso, manter níveis adequados de vitamina D3 através de exposição solar moderada, dieta equilibrada e, quando necessário, suplementação sob orientação médica, continua a ser uma estratégia recomendada para a saúde geral.

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Reino Unido

Reino Unido: Reformas Profundas no Sistema Judicial, Investimento Público e Estratégias para a Retoma Económica

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O Reino Unido atravessa um dos períodos mais transformadores das últimas décadas, com um novo governo a liderar um ambicioso conjunto de reformas e investimentos públicos. A intenção é clara: reconstruir a economia, enfrentar os desafios sociais e ambientais e reposicionar o país num cenário global em rápida mudança.

Com a liderança de Keir Starmer e a chanceler Rachel Reeves à frente das finanças, o Reino Unido está a apostar numa estratégia que une rigor fiscal, crescimento sustentável e justiça social. As reformas judiciais, a criação de uma empresa nacional de energia, as novas regras de imigração e os planos para a habitação e infraestruturas traçam o esboço de um novo capítulo político e económico.

Investimento Público como Motor da Retoma

Rachel Reeves anunciou um pacote de investimento público no valor de 113 mil milhões de libras, com aplicação em sectores estratégicos como transportes, energia, habitação e investigação científica. Este plano inclui a construção da linha ferroviária East West Rail, a continuidade da central nuclear Sizewell C e a modernização de hospitais e escolas em todo o território britânico.

Ao contrário das políticas de austeridade implementadas após a crise financeira de 2008, esta abordagem pretende gerar crescimento económico sustentado, criar postos de trabalho qualificados e atrair investimento privado. Trata-se de uma mudança de paradigma que procura equilibrar prudência orçamental com investimento estratégico.

Reforma da Justiça: Nova Visão para um Sistema Esgotado

O sistema prisional britânico encontra-se em sobrecarga, com níveis de reincidência elevados e pouca eficácia na reinserção social. A nova Secretária da Justiça, Shabana Mahmood, anunciou um plano ousado que inclui:
• Substituição de penas curtas de prisão por penas comunitárias com acompanhamento psicológico e social;
• Introdução de castração química para agressores sexuais reincidentes;
• Investimento em serviços de reintegração e monitorização de infractores.

Estas medidas, embora polémicas, visam combater a reincidência e dar primazia à reabilitação em detrimento da punição isolada, numa lógica de justiça restaurativa.

Economia: Sinais de Crescimento, mas com Obstáculos

As previsões económicas actuais apontam para um crescimento anual de cerca de 1,0%, ligeiramente acima do inicialmente projectado. Esta melhoria deve-se ao desempenho positivo no primeiro trimestre e ao aumento do investimento público.

Contudo, a inflação mantém-se teimosamente acima da meta de 2% fixada pelo Banco de Inglaterra, situando-se nos 3,3% em Abril. Esta taxa poderá limitar a capacidade de o banco central reduzir os juros, impactando o crédito e o poder de compra das famílias britânicas.

A dívida pública, por sua vez, permanece num nível elevado, o que obriga o governo a manter o equilíbrio entre incentivo económico e controlo orçamental.

Energia e Ambiente: Criação da “Great British Energy”

Uma das medidas mais simbólicas do novo governo foi a aprovação do Great British Energy Act, que permite a criação de uma empresa pública de energia, sediada na Escócia. O objectivo é impulsionar o desenvolvimento de energias renováveis — como solar, eólica e hidrogénio verde — e acelerar a transição energética rumo à neutralidade carbónica.

A empresa terá como missão:
• Reduzir a dependência energética externa;
• Promover projectos verdes de longo prazo;
• Tornar a energia mais acessível para as famílias.

Esta abordagem marca um retorno à intervenção estatal estratégica, numa altura em que a segurança energética se tornou central no debate político europeu.

Imigração: Política mais Rigorosa e Selecção Qualificada

Num outro eixo sensível, o governo implementou uma série de reformas às leis de imigração. Entre as principais mudanças estão:
• Aumento do tempo mínimo de residência para solicitar cidadania, agora fixado em 10 anos;
• Critérios mais exigentes para concessão de vistos de trabalho;
• Redução de vistos para sectores não prioritários, com ênfase na qualificação profissional dos candidatos.

Estas medidas visam controlar o número de imigrantes, combater abusos no sistema e garantir que a imigração responda às reais necessidades da economia nacional, especialmente em sectores estratégicos como saúde, tecnologia e engenharia.

Habitação e Infraestruturas: Resposta a uma Crise Prolongada

A crise habitacional, especialmente nas grandes cidades como Londres, Manchester e Glasgow, é outro dos pontos de actuação prioritária. O governo comprometeu-se com:
• A construção de milhares de novas habitações sociais;
• Incentivos fiscais para cooperativas habitacionais;
• Reabilitação de imóveis devolutos e de bairros sociais degradados.

No sector dos transportes, além das ferrovias, está prevista a modernização de estradas e a expansão de corredores para veículos eléctricos, com vista à redução das emissões de carbono e à melhoria da mobilidade urbana.

Reacção Pública e Desafios Políticos

Embora o novo programa governativo tenha sido, em geral, bem acolhido, há críticas por parte dos sectores conservadores que temem um retorno ao “Estado demasiado interventivo” e um possível aumento da carga fiscal futura. Os sindicatos, por outro lado, exigem medidas mais rápidas na valorização salarial dos trabalhadores do sector público e um plano claro para resolver a crise no Serviço Nacional de Saúde (NHS).

A oposição parlamentar promete vigilância apertada às promessas do Executivo, enquanto os média britânicos acompanham com atenção o impacto real destas medidas na vida dos cidadãos.

Conclusão

O Reino Unido encontra-se numa encruzilhada histórica. As reformas em curso representam uma tentativa séria de reconstrução interna após anos marcados por crises políticas, económicas e sociais — agravadas pela pandemia, pelo Brexit e pela instabilidade global.

Resta saber se a ambição reformista conseguirá materializar-se em resultados concretos e duradouros. O que é certo é que o país está, finalmente, a tentar virar a página e traçar um novo rumo para o seu futuro colectivo — mais verde, mais justo e mais resiliente.

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