SIGA-NOS NAS NOSSAS REDES SOCIAIS

Atualidade

Excesso de carnes vermelhas processadas não são boas para a saúde, de acordo com novo estudo


Publicado

-

Um estudo da Universidade de Cornell e da Universidade Northwestern descobriu que o risco de doenças cardiovasculares e morte prematura aumenta entre 3 e 7% para pessoas que comem duas ou mais porções de carne vermelha e processada por semana.

O consumo de carne processada, carne vermelha não processada, aves ou peixe está associado a doenças cardiovasculares? Em outubro de 2019, um grupo internacional de nutricionistas dos Estados Unidos e do Reino Unido chamado NutriRECS publicou cinco estudos na revista médica do American College of Physicians denominados “Annals of Internal Medicine” que concluíram que “não havia certeza de que comer carne vermelha ou carne processada causa cancro, diabetes ou doença cardíaca.”

Alguns especialistas, como o Dr. Frank Hu, do Departamento de Nutrição de Harvard, estavam preocupados com esse estudo. “Esta é uma recomendação de saúde pública muito irresponsável”, disse ele à CNN. “Há evidências substanciais de que a carne processada pode causar cancro no intestino, tanto que a Organização Mundial da Saúde a classificou como cancerígena desde 2015”.

O NutriRECS publicou um guia nutricional onde dizia que não havia necessidade de reduzir o consumo de carne vermelha ou processada para prevenir o cancro, contrariando as diretrizes nutricionais da OMS, Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, Sociedade Americana de Cancro e da American Heart Association, que notaram a relação entre o consumo excessivo de carnes processadas, como presunto, bacon, salsichas e salames com cancro colorretal.

Para resolver a controvérsia, pesquisadores da Divisão de Ciências Nutricionais da Cornell University (Nova York) e do Departamento de Medicina Preventiva da Northwestern University (Chicago) publicaram um estudo na JAMA International Medicine, que descobriu um risco de 3% na doença cardiovascular 7% maior e morte prematura para pessoas que ingeriram duas porções de carne vermelha e processada por semana. Parece pouco, mas é relevante se considerarmos que uma pessoa média nos Estados Unidos consome carne vermelha quatro vezes por semana.

Neste estudo, foram seguidos os hábitos alimentares de 29.682 adultos americanos. “A ingestão de carne processada, carne vermelha não processada ou aves foi significativamente associada a doenças cardiovasculares, mas a ingestão de peixes não. A ingestão de carne processada ou carne vermelha não processada foi significativamente associada à mortalidade por todas as causas, mas não a ingestão de aves ou peixes”, concluem os pesquisadores.

“O aumento do risco absoluto é tão pequeno que é improvável que seja relevante para o indivíduo. No entanto, no nível da população, isso é mais importante. Com aproximadamente 1 milhão de pessoas diagnosticadas com doenças cardíacas a cada ano, mesmo uma pequena redução no risco absoluto pode ter um efeito considerável e reduzir o número de pessoas que sofrem”, disse Gunter Kuhnle, professor de nutrição e ciência de alimentos da Universidade de Reading, no Reino Unido, numa declaração revisada pela CNN.

O estudo também descobriu um risco 4% maior de doença cardiovascular para pessoas que ingeriam duas porções por semana de aves. O estudo admite que não perguntou se o frango tinha pele, foi frito ou empanado ou cozido, portanto, não são suficientes para recomendar um nível de ingestão.

Segundo a CNN, os pesquisadores disseram que os alimentos fritos, incluindo frango e peixe, devem ser evitados, porque a fritura pode contribuir para os ácidos gordos trans, e a ingestão de peixe frito tem sido positivamente relacionada a doenças crónicas.

“Essas descobertas sugerem que, entre adultos americanos uma maior ingestão de carne processada, carne vermelha não processada ou aves, mas não peixe, foi significativamente associada a um pequeno aumento no risco de doença cardiovascular incidente, enquanto uma maior ingestão de carne processada ou carne vermelha não processada, mas não aves ou peixes, foi significativamente associado a um pequeno aumento no risco de mortalidade por todas as causas. Essas descobertas têm implicações importantes para a saúde pública e devem justificar pesquisas adicionais”, afirmam os pesquisadores do estudo.

Estudos e Pesquisas

Vitamina D3 pode retardar o envelhecimento celular, revela estudo de Harvard

Publicado

-

Um estudo recente conduzido por investigadores do Brigham and Women’s Hospital, afiliado à Universidade de Harvard, sugere que a suplementação diária com vitamina D3 pode abrandar o processo de envelhecimento a nível celular. Os participantes que tomaram 2.000 UI de vitamina D3 diariamente durante quatro anos apresentaram menos danos no ADN e mostraram marcadores biológicos indicando que eram quase três anos mais jovens em comparação com aqueles que tomaram um placebo. 

O Papel dos Telómeros no Envelhecimento

Os telómeros são estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomas que protegem o material genético durante a divisão celular. Com o tempo, os telómeros encurtam-se, o que está associado ao envelhecimento celular e ao aumento do risco de doenças crónicas, como diabetes e doenças cardiovasculares. O estudo observou que a suplementação com vitamina D3 reduziu o encurtamento dos telómeros, sugerindo um efeito protetor contra o envelhecimento celular.

Benefícios Anti-inflamatórios da Vitamina D3

Além de retardar o envelhecimento celular, a vitamina D3 demonstrou possuir propriedades anti-inflamatórias. A inflamação crónica de baixo grau é um fator contribuinte para várias doenças relacionadas com a idade. Ao reduzir a inflamação, a vitamina D3 pode desempenhar um papel na prevenção de doenças como a artrite reumatoide e certas doenças autoimunes.

Precauções e Considerações

Embora os resultados sejam promissores, os investigadores alertam que a suplementação excessiva de vitamina D3 pode ter efeitos adversos. É essencial que a suplementação seja feita sob orientação médica, especialmente porque doses elevadas podem levar a hipercalcemia, uma condição caracterizada por níveis elevados de cálcio no sangue.

Implicações para a Saúde Pública

Este estudo destaca a importância da vitamina D3 não apenas na saúde óssea, mas também no envelhecimento saudável. Com o envelhecimento da população global, intervenções simples e acessíveis, como a suplementação com vitamina D3, podem ter um impacto significativo na qualidade de vida dos idosos.

Conclusão

A descoberta de que a vitamina D3 pode retardar o envelhecimento celular abre novas possibilidades na promoção de um envelhecimento saudável. No entanto, é crucial que futuras pesquisas confirmem estes achados e determinem as doses ideais para diferentes populações. Enquanto isso, manter níveis adequados de vitamina D3 através de exposição solar moderada, dieta equilibrada e, quando necessário, suplementação sob orientação médica, continua a ser uma estratégia recomendada para a saúde geral.

Ler Mais

Reino Unido

Reino Unido: Reformas Profundas no Sistema Judicial, Investimento Público e Estratégias para a Retoma Económica

Publicado

-

O Reino Unido atravessa um dos períodos mais transformadores das últimas décadas, com um novo governo a liderar um ambicioso conjunto de reformas e investimentos públicos. A intenção é clara: reconstruir a economia, enfrentar os desafios sociais e ambientais e reposicionar o país num cenário global em rápida mudança.

Com a liderança de Keir Starmer e a chanceler Rachel Reeves à frente das finanças, o Reino Unido está a apostar numa estratégia que une rigor fiscal, crescimento sustentável e justiça social. As reformas judiciais, a criação de uma empresa nacional de energia, as novas regras de imigração e os planos para a habitação e infraestruturas traçam o esboço de um novo capítulo político e económico.

Investimento Público como Motor da Retoma

Rachel Reeves anunciou um pacote de investimento público no valor de 113 mil milhões de libras, com aplicação em sectores estratégicos como transportes, energia, habitação e investigação científica. Este plano inclui a construção da linha ferroviária East West Rail, a continuidade da central nuclear Sizewell C e a modernização de hospitais e escolas em todo o território britânico.

Ao contrário das políticas de austeridade implementadas após a crise financeira de 2008, esta abordagem pretende gerar crescimento económico sustentado, criar postos de trabalho qualificados e atrair investimento privado. Trata-se de uma mudança de paradigma que procura equilibrar prudência orçamental com investimento estratégico.

Reforma da Justiça: Nova Visão para um Sistema Esgotado

O sistema prisional britânico encontra-se em sobrecarga, com níveis de reincidência elevados e pouca eficácia na reinserção social. A nova Secretária da Justiça, Shabana Mahmood, anunciou um plano ousado que inclui:
• Substituição de penas curtas de prisão por penas comunitárias com acompanhamento psicológico e social;
• Introdução de castração química para agressores sexuais reincidentes;
• Investimento em serviços de reintegração e monitorização de infractores.

Estas medidas, embora polémicas, visam combater a reincidência e dar primazia à reabilitação em detrimento da punição isolada, numa lógica de justiça restaurativa.

Economia: Sinais de Crescimento, mas com Obstáculos

As previsões económicas actuais apontam para um crescimento anual de cerca de 1,0%, ligeiramente acima do inicialmente projectado. Esta melhoria deve-se ao desempenho positivo no primeiro trimestre e ao aumento do investimento público.

Contudo, a inflação mantém-se teimosamente acima da meta de 2% fixada pelo Banco de Inglaterra, situando-se nos 3,3% em Abril. Esta taxa poderá limitar a capacidade de o banco central reduzir os juros, impactando o crédito e o poder de compra das famílias britânicas.

A dívida pública, por sua vez, permanece num nível elevado, o que obriga o governo a manter o equilíbrio entre incentivo económico e controlo orçamental.

Energia e Ambiente: Criação da “Great British Energy”

Uma das medidas mais simbólicas do novo governo foi a aprovação do Great British Energy Act, que permite a criação de uma empresa pública de energia, sediada na Escócia. O objectivo é impulsionar o desenvolvimento de energias renováveis — como solar, eólica e hidrogénio verde — e acelerar a transição energética rumo à neutralidade carbónica.

A empresa terá como missão:
• Reduzir a dependência energética externa;
• Promover projectos verdes de longo prazo;
• Tornar a energia mais acessível para as famílias.

Esta abordagem marca um retorno à intervenção estatal estratégica, numa altura em que a segurança energética se tornou central no debate político europeu.

Imigração: Política mais Rigorosa e Selecção Qualificada

Num outro eixo sensível, o governo implementou uma série de reformas às leis de imigração. Entre as principais mudanças estão:
• Aumento do tempo mínimo de residência para solicitar cidadania, agora fixado em 10 anos;
• Critérios mais exigentes para concessão de vistos de trabalho;
• Redução de vistos para sectores não prioritários, com ênfase na qualificação profissional dos candidatos.

Estas medidas visam controlar o número de imigrantes, combater abusos no sistema e garantir que a imigração responda às reais necessidades da economia nacional, especialmente em sectores estratégicos como saúde, tecnologia e engenharia.

Habitação e Infraestruturas: Resposta a uma Crise Prolongada

A crise habitacional, especialmente nas grandes cidades como Londres, Manchester e Glasgow, é outro dos pontos de actuação prioritária. O governo comprometeu-se com:
• A construção de milhares de novas habitações sociais;
• Incentivos fiscais para cooperativas habitacionais;
• Reabilitação de imóveis devolutos e de bairros sociais degradados.

No sector dos transportes, além das ferrovias, está prevista a modernização de estradas e a expansão de corredores para veículos eléctricos, com vista à redução das emissões de carbono e à melhoria da mobilidade urbana.

Reacção Pública e Desafios Políticos

Embora o novo programa governativo tenha sido, em geral, bem acolhido, há críticas por parte dos sectores conservadores que temem um retorno ao “Estado demasiado interventivo” e um possível aumento da carga fiscal futura. Os sindicatos, por outro lado, exigem medidas mais rápidas na valorização salarial dos trabalhadores do sector público e um plano claro para resolver a crise no Serviço Nacional de Saúde (NHS).

A oposição parlamentar promete vigilância apertada às promessas do Executivo, enquanto os média britânicos acompanham com atenção o impacto real destas medidas na vida dos cidadãos.

Conclusão

O Reino Unido encontra-se numa encruzilhada histórica. As reformas em curso representam uma tentativa séria de reconstrução interna após anos marcados por crises políticas, económicas e sociais — agravadas pela pandemia, pelo Brexit e pela instabilidade global.

Resta saber se a ambição reformista conseguirá materializar-se em resultados concretos e duradouros. O que é certo é que o país está, finalmente, a tentar virar a página e traçar um novo rumo para o seu futuro colectivo — mais verde, mais justo e mais resiliente.

Ler Mais

DESTAQUES