A especialista destacou que os temores em relação ao coronavírus são agravados pela situação desastrosa no serviço de saúde e a decisão do Tribunal Constitucional sobre o aborto e os protestos a ele relacionados.
“Estamos preocupados connosco e com nossos entes queridos. A falta de um plano claro para lidar com uma pandemia e a alta dinâmica da situação intensificam a ansiedade. Muitas pessoas com medo estão á espera das próximas restrições e, como não sabemos o que esperar, é mais difícil nos adaptarmos a novas situações.
Não sabemos se implementaremos os planos assumidos anteriormente, estamos a começar a nos preocupar se seremos capazes de passar o Natal com nossos entes queridos”– disse a especialista e avaliou: “É tudo muito stressante e para muitas pessoas tem o potencial de se tornar uma experiência traumática”.
De acordo com a psicóloga, a experiência traumática de uma pandemia no futuro pode aumentar vários tipos de medos em algumas pessoas, incluindo os do contato com outras pessoas. Já agora – disse o médico – algumas pessoas preocupam-se em assistir a filmes em que os personagens não têm máscaras e não mantêm distância.
Após o fim da pandemia, além do medo dos contatos interpessoais, podemos ter medo dos germes e da necessidade excessiva de higiene.
Cada vez mais pessoas procuram apoio psicológico
A especialista destacou que o número de pessoas que precisam de ajuda psicológica está a crescer, mas – como ela acrescentou citando pesquisas de agências internacionais – a situação dos cuidados de saúde mental está a deteriorar-se e a situação dos cuidados comunitários está a piorar.
Os psicoterapeutas que conheço dizem que nunca viram tanta necessidade de ajuda psicológica como nas últimas semanas”, disse ela.
Como ela observou, a pandemia afeta mais pessoas que já lutaram contra várias dificuldades – sejam mentais ou outras – físicas, materiais, exclusão, violência ou discriminação.
A Dra. Maria José Papula apontou que agora o isolamento social forçado não permite lidar com o stress da mesma forma que antes – trata-se principalmente de buscar apoio durante reuniões com entes queridos ou, por exemplo, praticar desportos livremente.
A psicóloga alertou que em uma situação extremamente stressante, como a causada pela pandemia e lockdown, aumenta o risco de antigos vícios “revigorantes”, transtornos depressivos ou de ansiedade.
“Cada um tem a sua própria maneira de nos fazer sentir melhor por um tempo. Por um lado, comerá bolachas, por outro, assistir compulsivamente a séries de TV, por outro estará constantemente a verificar as redes sociais. Infelizmente, esses métodos podem levar a uma deterioração do nosso bem-estar no longo prazo”, comentou.
Stress na era de uma pandemia
De acordo com estudos internacionais, quase 50% de pessoas em todo o mundo estão a experimentar sintomas associados ao alto stress – tensão, baixo-astral, insónia, vários medos. “O facto de os termos vivenciado numa situação tão difícil como a que temos agora não é nada especial e vale a pena procurar ajuda” – concluiu a Dra. Maria José Papula.