A leitura ajuda a fortalecer a memória. Uma crença generalizada é que poderia “atrasar” o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Mas o que produz a leitura no cérebro que pode ter a capacidade de interromper o progresso da demência mais comum no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde?
A atividade intelectual da leitura não transmite as palavras lidas para a cabeça de uma pessoa, o que o cérebro recebe é o que essas palavras representam, ou seja, ideias. E é nesse processo cerebral que os neurónios são os protagonistas.
A ZARLLOR magazine comunicou-se com a neurologista Maria Magalhães, que nos explicou qual é o efeito da leitura na atividade cerebral.
A neurologista ressalta que a ciência provou que a leitura, como qualquer outra atividade intelectual, como escrever e pintar, aumenta a quantidade de dendritos, aquelas pequenas ramificações que surgem dos neurónios.
Magalhães explica que os dendritos são extensões de neurónios que se assemelham a pequenas árvores cuja função é receber impulsos de outros neurónios (sinapses) e enviá-los ao corpo do neurónio receptor. Desta forma, pode-se concluir que a leitura ajuda a ter mais conexões sinápticas.
Com o aumento dos dendritos, acrescenta a especialista em neurologia, é alcançada uma maior reserva neuronal que implica uma maior capacidade cognitiva. Esta vantagem ajuda as pessoas que, se alguma vez desenvolverem uma doença degenerativa como a demência de Alzheimer, “atrasam” o seu desenvolvimento, diz Magalhães.
A leitura deve ser praticada em crianças
O requisito para os dendritos aumentarem a atividade cerebral é que a “leitura é constante“, enfatiza o neurologista, porque deve-se tornar uma disciplina desde a infância.
Disciplina e leitura constante produzem um impacto especial na área parietal direita do cérebro, uma área dedicada à imaginação. “As crianças com a leitura são propensas à imaginação e não as tornam tão concretas. O imediatismo da tecnologia reduz a sua capacidade de imaginar”, adverte a neurologista.