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Ofensas racistas a Marega geram indignação de personalidades públicas nas redes sociais

Até o Presidente da República manifestou-se contra os atos preconceituosos.


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Reprodução - Instagram // Moussa Marega

O Campeonato Português de Futebol foi palco dum triste acontecimento no fim de semana. No jogo pela 21ª jornada da competição entre Porto e Vitória de Guimarães, o avançado dos Dragões Moussa Marega foi alvo de atitudes racistas por parte dos torcedores que estavam no Estádio D. Afonso Henriques.

Cânticos preconceituosos e sons que imitavam macacos podiam ser ouvidos a cada toque de bola do futebolista. Irritado com o episódio, o desportista abandonou o campo e ainda mostrou o dedo médio aos que o discriminavam e ainda escreveu nas redes sociais:

«Gostaria apenas de dizer a esses idiotas que vêm ao estádio fazer gritos racistas … vá se foder. E também agradeço aos árbitros por não me defenderem e por terem me dado um cartão amarelo porque defendo minha cor da pele. Espero nunca mais encontrá-lo em um campo de futebol! VOCÊ É UMA VERGONHA!!!!»

Porém esta não foi uma reação isolada. Várias personalidades públicas juntaram-se ao grito de revolta do jogador francês naturalizado malinês. Numa declaração à agência Lusa, o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa declarou:

«A Constituição da República Portuguesa é muito clara na condenação do racismo, assim como de outras formas de xenofobia e discriminação, e o povo português sabe, até por experiência histórica, que o caminho do racismo, da xenofobia, e da discriminação, além de representar a violação da dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais, é um caminho dramático em termos de cultura, civilização e de paz social.»

No Instagram, a apresentadora Rita Ferro Rodrigues escreveu: «por favor, sejamos todos dignos da imensa coragem de Marega. Não permitamos que dourem a pílula, não aceitemos discursos ocos, desculpabilizantes, negacionistas. Acredito que muita gente, por essas casas fora, abandonou aquele campo de mão dada com Marega em total indignação e solidariedade com o ataque de que foi alvo».

Na mesma rede social o Benfica afirmou ser «sempre contra o racismo. Em todos os momentos em que ele se revele» e o Sporting CP disse manifestar «a sua solidariedade com o jogador Marega do FC Porto e repudiar qualquer acto de racismo e preconceito social».

A cantora Carolina Deslandes aproveitou para, novamente, levantar a bandeira contra o racismo, atitude que frequentemente já adota na internet.

«Vão-se f*der! Quando dizem que o racismo não existe, quando dizem que em Portugal e no Mundo não é GRITANTE a desigualdade e a humilhação! Vão-se f*der quando em vez de punirem uma claque e um clube penalizam um jogador que se está a revoltar e a NÃO aceitar um comportamento INACEITÁVEL. Tenho VERGONHA destas pessoas e desta arbitragem. Vão-se f*der quando não dão a voz a uma causa só porque não vos toca a vocês. A EMPATIA É O MOTOR DA MUDANÇA. Não é só o ódio de quem grita que é o problema, é o silêncio de quem assiste. Devemos exigir TODOS que a Liga tome uma atitude. Marega, é preciso ter balls para não deixar que a nossa profissão se sobreponha à nossa dignidade. Estamos contigo», disse Deslandes.

E em meio às manifestações de apoio ao avançado dos Azuis e Brancos, houve até quem se sentisse na obrigação de denunciar outros casos semelhantes. Foi o que fez o extremo do Kasimpasa Ricardo Quaresma. O futebolista português revelou que também já foi vítima de episódios racistas em campo.

«Gostava de expressar toda a minha solidariedade para com o Marega. Também eu já fui várias vezes vítima de racismo dentro e fora de campo. A cor da pele ou a raça do jogador não podem ser argumentos para ofender e tentar desconcentrar um jogador de futebol. O mesmo se aplica fora de campo. O racismo não pode ter lugar na nossa sociedade é um crime que deve ser punido», arrematou Quaresma.

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