Já chega a quase 900 mil o número de infectados pelo novo coronavírus no mundo. De mortes, são mais de 40 mil casos, e cerca de 185 mil pessoas já estão recuperadas. Os números superam o da epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), de 2003, que contaminou 8,1 mil pessoas, sendo que o número de mortos chegou a 750.
Cientistas acreditam que a doença tenha sido transmitida de animais silvestres às pessoas. Uma vez comprovada esta teoria, ainda assim o Covid-19 não seria o primeiro caso de vírus passado dos bichos aos homens. Nos últimos 50 anos, uma série de doenças infecciosas foi transmitida de animais selvagens para os seres humanos.
Nos anos 80, a crise da SIDA originou-se a partir dos primatas. Em 2004, a gripe aviária surgiu de aves. Em 2009, a gripe suína (vinda dos porcos) causou quase 20 mil mortes pelo mundo. A Sars, também causada por um vírus do tipo corona, foi oriunda das civetas. O Ebola, dos morcegos, e a raiva, dos cães.
A atriz Joana de Verona, que estava até ao mês passado a interpretar a personagem Adelaide na telenovela Éramos Seis, da Globo, abordou o assunto numa publicação nas redes sociais.
«Que o Mundo mudou, já entendemos. Estamos a atravessar tempos históricos com exigências a que todos nós temos que responder à altura e providências governamentais complexas, como se de um contexto quase bélico se tratasse», começou por escrever a artista.
«Mas o Mundo mudará para onde? Depois de tudo isto, para onde iremos? O que se irá alterar nos sistemas políticos? O homem que desgoverna e está a matar o Brasil irá cair? As ascensões da extrema direita irão perder força? O capitalismo selvagem, o consumismo doentio, as urbes saturadas, doentes e mecanizadas irão humanizar-se, despoluir-se, desacelarar?», questionou.
«Iremos estar mais voltados para o nosso ritmo interno, respeitando-o, mais ligados à natureza, haverá um êxodo rural? Deixaremos finalmente de consumir desenfreadamente a carne de outros animais? Muito receio ao pensar que após a Tempestade a podridão e a perversidade humana ligada ao mercado, controle, armas e poder continue exatamente igual», desabafou ainda Joana.
E a estrela da Globo continuou: «o Mundo foi obrigado a parar, há que efectivamente mudar-se mentalidades e comportamentos. Só assim aprenderemos algo com tudo isto. Só assim haverão de facto transformações significativas que resultam da urgência e gravidade destes nossos Selvagens Tempos!»
Ao finalizar o seu desabafo, Joana de Verona revelou também um facto curioso sobre si. Ela é vegetariana desde miúda e apresenta, inclusive, este hábito alimentar (ou o simples controlo mais criterioso dos animais que o homem consome) como uma forma da humanidade proteger-se de novos vírus que possam vir a existir.
«Gripe suina, ebola, sars, gripe aviária, covid, entre outras. Sem pretensão de dar lições de moral a ninguém, para mim foi natural parar de comer carne aos 12 anos, sei que para muita gente não é assim. Porém, bom repensar o consumo de outros animais, por eles, pela saúde, por Nós, pelo Planeta», concluiu a atriz.