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Autismo: Carolina Deslandes dá o seu testemunho sobre o transtorno

Autismo, ou Transtorno do Espectro Autista, compromete a comunicação e interação social da criança. A cantora tem um filho de três anos com este diagnóstico.


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Reprodução - Instagram // Carolina Deslandes

Carolina Deslandes mantém há cinco anos um relacionamento com o produtor musical Diogo Clemente, com quem tem três filhos: o Santiago, de 3 anos, o Benjamim, de 2, e o Guilherme, de 1 ano de idade. A 30 de setembro de 2019, a artista revelou o autismo do seu primogénito.

A necessidade de contar a todos este facto íntimo sobre a sua família surgiu após a compositora ver, nas palavras dela, como as pessoas «gozavam e ridicularizavam a Greta [Thunberg] pela sua maneira “estranha” de falar» (a recordar que a miúda também tem autismo).

Esta semana, no seu isolamento voluntário para combater a pandemia do Covid-19, a cantora abriu o coração para falar sobre como é lidar com este tipo de transtorno ainda pouco conhecido pela medicina se comparado a outros diagnósticos clínicos.

Acompanhe alguns trechos do que disse a intérprete de Avião de Papel.

«A primeira coisa a fazer é acabar com a palavra autista como um adjetivo/característica que se usa em conversas banais. Isto tem de acabar. É uma coisa que me chateia e muitas vezes eu não digo nada porque não quero parecer que estou a levantar uma bandeira por tudo, mas efetivamente é uma coisa que me chateia.»

«Se vocês repararem alguns sinais destes nos vossos filhos não se perde nada em levar a um pedopsiquiatra. Quero alertar-vos para uma coisa: o mais importante não é o diagnóstico. Para nós nunca foi. A nossa preocupação foi falar com alguém que tem mais conhecimento do que nós e que nos ensina a lidar com o nosso filho nas suas diferenças e a fazer aquilo que nós conseguimos para torná-lo uma pessoa feliz e para estarmos próximo dele.»

«Se vocês notam que os vossos filhos andam muito de bicos dos pés, que não conseguem estar em sítios com muitas pessoas, que o barulho os incomoda, que tendem a repetir os mesmos sons como se fosse uma lengalenga, se têm a tendência para baloiçar e de arrumar os objetos numa linha, procurem um médico.»

«Uma vez cheguei à sala e o Santiago tinha pegado numa caixa de 50 tampões e tinha posto todos a atravessar a sala. O Santiago começou a desenvolver um pânico total por barulhos de batedeiras, de aspiradores e de secadores. Hoje em dia já não, mas na altura foi uma das coisas que nos alertou.»

«Outra coisa que nos alarmou foi a perda constante de conhecimentos previamente adquiridos, ou seja, ensinarmos uma coisa e ele aprender e passado dois dias já não se lembrava. Deixou de responder pelo nome e ficava muitas vezes com o olhar focado no vazio.»

«Aprendam que se confirmar que os vossos filhos têm alguma coisa é abrir a porta para um novo universo. Entrem nesse universo. Não tenham medo. É diferente, mas maravilhoso. É um universo altamente sensorial em que se conhece o mundo pela mão, pelo cheiro, pelo paladar em que não se racionaliza demasiado as nossas emoções e as nossas motivações.»

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