Na última quinta-feira, 23 de julho, vários artistas celebraram nas redes sociais o dia em que Amália Rodrigues completaria cem anos. Sim, foi nesta mesma data, em Pena, Lisboa, que nascia a eterna Voz de Portugal.
O apresentador do humorístico Cá Por Casa, da RTP1, Herman José, foi um dos convidados do programa Você na TV para homenagear a célebre cantora. Nos estúdios da TVI, o comunicador recordou o dia em que a convidou para uma festa de aniversário.
“Atrevi-me a convidá-la para os meus anos. Dessa proximidade nasce uma amizade que culmina no terceiro ato das nossas vidas. Muitos almoços tardios, jantares até às tantas, e depois começou a entristecer imenso. Não aquela tristeza poética que ela cantava, mas uma verdadeira tristeza por não poder fazer o que mais amava, que era cantar”, confidenciou o humorista a Manuel Luís Goucha.
Nas redes sociais, a atriz Melânia Gomes recordou um trecho da música Havemos de ir a Viana e a fadista Mariza publicou uma foto de Amália Rodrigues com uma legenda que resumida a duas palavras: “simplesmente Amália”.
O comentador da estação de Queluz de Baixo Flávio Furtado aproveitou para incentivar os portugueses a “visitarem” a Voz de Portugal: “faça-lhe uma visita, leve-lhe rosas brancas, das que ela gostava. Passe lá por casa, pela Fundação Amália e beba um café no Jardim da Amália”.
A cantora Gisela João também escreveu um bonito texto a respeito da fadista portuguesa. Confere o relato na íntegra a seguir.
“Quando era pequenina ouvi a Amália cantar e para sempre a minha vida ficou marcada porque, naquele momento exacto, o meu caminho foi trilhado. Dar-lhe-ia mil beijos, dou-os todos os dias por tudo o que me ensinou.”
“Foi muito importante encontrar tradução para o que sentia do mundo dentro do meu peito e talvez mais importante ainda saber a sua história, onde me revi de imediato e que me deu alento para acreditar que era possível.”
“Ensinou-me a ouvir cada palavra com atenção, a tomar-lhes primeiro o peso, a dar-lhes depois o peso certo. Ensinou-me que a palavra, essa escrevinhada, quando cantada ganha outros sentidos e se agiganta mudando vidas.”
“Ensinou-me que as palavras, dentro delas, têm a história de todos nós.
Ensinou-me sobretudo o silêncio, que a simplicidade brilha no escuro.
Fez-me perceber que ser Mulher é ser tudo e que ter voz é ter coragem, sobretudo coragem para fazer o que se gosta.”
Por isso tudo e por tanto mais, o meu obrigada. Mil obrigadinhas em todos os dias. E o que é mais engraçado nisto tudo? É que infelizmente nunca a conheci. Andava no 9 ano quando ela partiu. Lembro que me vesti de preto e pensei apanhar o comboio para ir a Lisboa.”
“Eram as provas globais e o bilhete era caro. Lembro-me de chorar nas escadas da escola a ver os colegas a entrar para as salas de aula. Em jeito de homenagem, lancei o meu primeiro disco como presente a ela que, sinto, me abençoa até hoje desde o dia em que me apaixonei por ela.”
“E um dia quem sabe vou ter uma Amália, e alguém me irá ouvir chamar na rua ‘Amália vem cá Amália! Eu sei quem és!’.”
De recordar que a diva eterna faleceu no dia 6 de outubro de 1999, tendo sido trasladada para o Panteão Nacional dois anos depois.