Desde o ano passado que Ângelo Rodrigues está a visitar o hospital mais que o habitual. No dia 22 de agosto de 2019, o ator foi internado de urgência no Hospital Garcia de Orta, em Almada, devido a uma grave infeção em uma das suas pernas.
Foram dois meses de internamento, entre períodos em coma, uma paragem cardíaca e várias intervenções cirúrgicas. Os médicos chegaram até a considerar amputar uma das pernas do artista. E mesmo após ter recebido alta, Ângelo continuou o tratamento médico com sessões de fisioterapia.
Neste fim de semana, o Bruno Garcia da série Golpe de Sorte, da SIC, mais uma vez foi internado no mesmo hospital para a sua oitava cirurgia na perna, seis meses depois da sua primeira intervenção cirúrgica. E a novidade foi motivo para que o ator escrevesse um interessante texto.
«Já olho para as minhas cirurgias como as medalhas que Michael Phelps ganhou em Pequim. Sirvo-me de um trabalho extenuante de minimalismo mental, de peneirar apenas o estritamente necessário – um princípio que Marco Aurélio imaginou um dia nas primeiras linhas estóicas que desenhou no livro “Meditações”», começou por escrever.
«Mas nada que acalme este Álvaro de Campos que galopa incessante dentro de mim. Esta montanha russa emocional, que usou a vertigem para nunca tomar a minha recuperação como garantida, foi o que me manteve vivo. Como Chico Anysio diria: “eu não tenho medo de morrer, tenho pena”», continuou a dizer.
«Sempre simpatizei por underdogs. A ideia de um desfavorecido com parcas chances de vencer face a um opressor sempre foi relatable para mim – talvez porque sempre me senti um. É expectável que o underdog perca, mas a superação arranja sempre lugar. One love para todos os underdogs que espreitam lá do fundo do poço para cima. Dizem que a vista lá em cima é linda. Agora vamos lá remendar esta boneca de trapos», concluir o ator.